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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Como funciona uma fábrica de aviões

Acompanhe os principais passos necessários para a produção das aeronaves mais conhecidas do mundo.


Gigantes sobrevoando as grandes cidades, os aviões precisam de processos de fabricação muito cuidadosos para que seja evitado qualquer tipo de problema – afinal de contas, eles transportam centenas de pessoas ao mesmo tempo e qualquer falha pode causar uma tragédia. Você imagina como são esses processos?

Conheça agora algumas das principais etapas que devem ser respeitadas pelas montadoras de aeronaves. Para esta matéria, utilizamos como referência a montagem de aviões da Boeing, conforme relatado pelo site Dvice. Aperte os cintos e se prepare para a decolagem em direção a mais um pouco de conhecimento.

As maiores fábricas do mundo
Indústrias automobilísticas conseguem produzir centenas de carros por dia, mas quando os comparamos com um avião, podemos imaginar que o tempo gasto para a produção de uma aeronave é muito maior. E é mesmo. Raramente um avião é criado em menos de uma semana, pois há muitas fases diferentes pelas quais eles devem passar.

A fábrica da Boeing, em Everett, possui centenas de milhares de metros quadrados. São imensos galpões responsáveis pela produção de várias peças, além das diversas estruturas encarregadas do armazenamento de materiais que chegam prontos de outras empresas.


Para alimentar todo o sistema, há inclusive conexão direta da fábrica com estradas de ferro para trens. Também existem estradas exclusivas para facilitar o acesso dos mais de 30 mil funcionários que se dividem em até três turnos diferentes.


Há centrais de combate a incêndios e um departamento de segurança exclusivo no local, tudo para prevenir problemas e – quando não for possível – contê-los rapidamente. Os serviços existentes lá vão muito além disso. Um centro médico está preparado para emergências 24 horas por dia, assim como as creches e as cantinas, que oferecem mais de 17 mil refeições por dia.


Sistemas de manutenção da temperatura
Ao contrário do que se imagina, não existem centrais de ar-condicionado gigantescas ou redes de calefação na Boeing Everett Factory. Quando o calor começa a ser sentido pelos funcionários, grandes portas (que chegam a ter o tamanho de campos de futebol americano) são abertas para que a ventilação seja suficiente.



“E no inverno,” Aí o aquecimento fica por conta dos próprios empregados da Boeing. Em constante movimentação, o calor gerado por eles faz com que seja criada uma climatização natural. O único equipamento térmico utilizado é um exaustor, que impede o acúmulo de vapor no teto dos galpões.


Montagem dos aviões
Apesar de serem enormes, os aviões contam também com peças muito pequenas. Elas chegam até as linhas de montagem por meio de caminhões e trens, que têm acesso direto à fábrica da Boeing. Mas também há outras peças que são levadas até lá por aviões modificados. É o caso das asas de alguns modelos de aeronave, transportadas em um 747 alterado para suportar mais carga.


Em cada um dos galpões, é montado apenas um tipo de avião (747, 767, 777 ou 787). O processo funciona dessa forma porque cada aeronave precisa de diferentes manejos durante a fabricação. O Boeing 777, por exemplo, é construído em linhas de progressão, sendo movido a cerca de cinco centímetros por minuto.





Para evitar que qualquer detalhe escape aos olhos dos funcionários, eles são colocados em mesas anexadas a gruas móveis, com seus computadores e ferramentas acopladas. Dessa forma, não há riscos de alguma peça ser mal-encaixada por falta de tempo.


Um modelo que exige menos tempo de montagem é o 787 Deamliner. Por ter várias peças pré-montadas, os funcionários da Boeing só precisam realizar o encaixe dos principais componentes. É possível construir um desses em apenas três dias – excluindo o motor, que será instalado apenas em outro momento.


Hora da pintura
Antes da entrega das aeronaves, elas precisam passar por uma etapa de pintura. Você sabe por que a maioria das empresas aéreas opta por pintar os aviões de branco ou prata? O motivo não está no preço da tinta, mas tem a ver com economia. Essas cores atribuem menos peso às estruturas, permitindo uma maior economia de combustível.

Fonte: Clique




Cientistas desenvolvem 'detector de mentiras' para dietas

Cientistas britânicos desenvolveram um exame de urina que pode detectar se uma pessoa está cumprindo uma dieta rigorosamente ou se está "mentindo" sobre ela.

Pesquisadores das universidades de Newcastle e Aberystwyth criaram um teste que pode determinar qual alimento e quais as quantidades de alimento foram consumidas pelo paciente nos dias anteriores.

O exame mede as "impressões digitais" químicas, conhecidas como metabólitos, que aparecem na urina de uma pessoa que comeu carne vermelha, branca ou processada.
Os cientistas agora querem aumentar a lista de metabólitos que poderão ser identificadas pelo exame.


Por meio do exame, os metabólitos já foram identificados para alimentos considerados saudáveis, como framboesas, salmão, brócolis e suco de laranja.
"Ao buscar na urina as 'impressões digitais' químicas de alimentos diferentes, a pesquisa dos cientistas demonstrou que podem determinar se os indivíduos têm uma dieta saudável ou não", disse um porta-voz da Universidade de Aberystwyth.


"O que comemos tem um grande impacto em nossa saúde, mas é muito difícil saber exatamente o que e quanto as pessoas comem no cotidiano, e as pessoas acham difícil registrar isto com honestidade", afirmou o porta-voz.


Doenças crônicas
"Este tipo de exame tem grande potencial como uma arma contra muitas doenças crônicas", afirmou o professor John Draper, que lidera a equipe de pesquisadores no Instituto de Ciências Biológicas, Ambientais e Rurais de Aberystwyth.


"Ele vai ajudar os médicos, enfermeiras e nutricionistas a descobrir o que seus pacientes andaram comendo."


O instituto está tentando desenvolver um exame mais simples para identificar metabólitos.
No futuro, os pesquisadores esperam criar um sensor que poderá ser utilizado com pequenas quantidades de amostra de urina para descobrir quais os principais alimentos que a pessoa consumiu.


"No longo prazo, este tipo de exame vai ajudar a descobrir novas ligações entre padrões de alimentação e saúde", disse o professor John Mathers, que lidera os cientistas no Centro de Pesquisa em Nutrição Humana da Universidade de Newcastle.


Para Mathers, quando os cientistas conseguirem mais conhecimento sobre os metabólitos, eles poderão "acrescentar estes ao nosso exame e, com isso, os pesquisadores poderão afirmar com certeza quais alimentos ajudam a proteger contra doenças específicas e quais devemos estimular (o consumo) para promover a saúde" do paciente.

ANDREA DE ANDRADE SAMBA COM MODELITO SENSUAL

Andrea de Andrade valorizou suas generosas formas ao usar um figurino bem curtinho e com um decote mais do que caprichado na noite desta segunda-feira, dia 30.




O look foi escolhido pela loira para abrilhantar o ensaio que a escola de samba Império de Casa Verde fez em sua quadra, localizada em São Paulo.


Rainha de bateria da agremiação, Andrea mostrou samba no pé e provou que está preparada para defender a escola na Avenida

Gêmea de Marcela se hospeda na pousada

Todos se assustam ao ver Joana, a irmã gêmea de Marcela. Griselda pergunta ao filho mais velho sobre a loira que aplicou o golpe nele. Teodora cuida de Quinzé. Íris não acredita que Joana seja irmã de Marcela. Luana estranha o jeito de Joana.


Zambeze fica contrariada quando Álvaro deixa Joana ficar na pousada. Joana se surpreende ao ver que o laptop de Marcela está vazio.Esther repreende Beatriz por tentar se aproximar de Victoria. Juan volta de Roma e faz surpresa romântica para Letícia.

Amália convida Patrícia para ser sua madrinha de casamento. Danielle procura Beatriz. Wallace anuncia que Leandro já está pronto para lutar e Dagmar fica orgulhosa. Antenor fica impaciente à espera da reportagem sobre Tereza Cristina. Um dos homens que estavam no carro de Ferdinand observa o futuro médico. O repórter liga para Tereza Cristina.

Símbolo do declínio cubano, porto revive com investimento brasileiro

Uma parceria entre Brasil e Cuba pretende transformar o Porto de Mariel, a 40 km de Havana, em um dos maiores da América Latina.
porto cuba

A presidente Dilma Rousseff visita nesta terça-feira o local, que deve se tornar o principal símbolo do recente processo de abertura econômica da ilha.

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Serão investidos, em quatro anos, US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões (71%) financiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Trata-se da maior obra em Cuba desde que, em 1959, Fidel Castro liderou a Revolução que o levou ao poder e instaurou o socialismo no país.

Três décadas atrás, o Porto de Mariel foi o local de partida de cerca de 125 mil cubanos que deixaram a ilha caribenha rumo aos Estados Unidos em 1980 atrás de melhores condições de vida e acabou tornando-se um símbolo da derrocada da economia cubana.
O êxodo precedeu o declínio do então maior parceiro econômico de Cuba, a União Soviética, e teve o dedo do presidente Fidel Castro, que, diante de uma onda de invasões da embaixada peruana por cubanos desejosos de emigrar, declarou que todos que quisessem abandonar a pátria poderiam fazê-lo.

A migração em massa dos "marielitos", como ficaram conhecidos, prejudicou as ambições de reeleição do então presidente americano Jimmy Carter quando se descobriu que parte do grupo era integrada por presos e doentes mentais cubanos.

'Zona Especial de Desenvolvimento'
A viagem de Dilma a Cuba ocorre uma semana após a liberação da última parcela do empréstimo à obra, executada pela empresa brasileira Odebrecht, iniciada em 2010 e prevista para terminar em 2014.

Em visita ao porto em setembro, o presidente Raúl Castro, que sucedeu o irmão Fidel em 2008, afirmou: "Esta obra tem uma importância econômica extraordinária, não só para o desenvolvimento presente do país, mas também para o futuro".
O empreendimento inclui uma "zona especial de desenvolvimento" de 400 quilômetros quadrados, que abrigará indústrias voltadas à exportação e ao mercado cubano.
Segundo diplomatas brasileiros, além de ajudar Cuba em sua missão de "atualizar" o socialismo e diversificar suas fontes de receitas, a ampliação do porto abrirá oportunidades de negócios para empresas brasileiras interessadas em se instalar ou expandir as operações na América Central.

E caso os Estados Unidos suspendam seu embargo econômico à ilha, as empresas instaladas no porto terão acesso privilegiado ao maior mercado global, uma vez que Mariel está a apenas 160 km do Estado americano da Flórida.
Fábrica de vidro

"Esta obra tem uma importância econômica extraordinária, não só para o desenvolvimento presente do país, mas também para o futuro."

Raúl Castro, Presidente de Cuba
Por ora, uma companhia brasileira – a fabricante de vidro Fanavid – já se prepara para abrir uma unidade no local, em associação com o governo cubano. Cerca de 80% da produção da fábrica deverá se destinar à exportação.

As obras em Mariel incluem ainda ações para facilitar o acesso de produtos ao porto, como a reforma de mais de 30 km de estradas e a construção de 18 km de rodovias, 63 km de estrutura para ferrovias e quase 13 km de vias ferroviárias.

Com a dragagem do porto, que permitirá seu uso por navios de grande calado, ele poderá movimentar 1 milhão de contêineres por ano. Comparado com portos brasileiros, Mariel só terá capacidade inferior ao de Santos, que em 2011 movimentou 2,7 milhões de contêineres.
Também serão construídos 700 metros de cais para o terminal de contêineres, um centro de carga, pátios, redes de abastecimento de água e tratamento de resíduos, além de toda infraestrutura para o fornecimento de energia elétrica.

Atualmente 2,7 mil trabalhadores atuam nas obras; após a conclusão do porto, espera-se que ele gere 3 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.

Notoriedade histórica
Com a reabertura de Mariel, o porto deve recuperar a notoriedade que experimentou há décadas, mesmo antes do êxodo dos "marielitos" rumo à Flórida, em 1980.
Em 1962, auge da Guerra Fria e no caso que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba, aviões americanos fotografaram sete barcos lança-mísseis Komar, de fabricação soviética, ancorados no porto.

A descoberta gerou temores nos Estados Unidos de que os soviéticos estivessem se preparando para um ataque nuclear às terras americanas, suspeita reforçada após a divulgação de imagens que mostravam cerca de 40 silos para abrigar armas atômicas em Cuba.

Em discurso, o presidente americano John F. Kennedy ameaçou atacar Cuba caso o país se tornasse uma base militar soviética. Uma semana depois, o Senado americano aprovou o uso da força para garantir a segurança dos Estados Unidos diante da ameaça das instalações russas.

Já Nikita Kruschev, à época o primeiro-ministro soviético, disse que os mísseis visavam apenas defender Cuba de eventuais invasões. A precaução se justificava por acontecimento do ano anterior, quando cubanos residentes na Flórida patrocinados pelos Estados Unidos fracassaram após tentar invadir Cuba pela baía dos Porcos. Os temores de que a Crise dos Mísseis poderia desencadear uma guerra nuclear, porém, jamais se concretizaram.

SC: policiais são afastados após foto

Os agentes, envolvidos no caso de um PM que fez gestos obscenos com uma escultura de vaca da Cow Parade, serão investigados.

O policial fotografado e os colegas que tiraram fotos do agente fazendo gestos obscenos com uma escultura de vaca da Cow Parade no Mercado de Florianópolis, Santa Catarina, foram afastados nessa terça-feira.


O fato teria acontecido em 2011 e já havia provocado discussões na corporação e redes sociais. A ação trouxe consequências administrativas para o PM flagrado e os outros três que participaram da "brincadeira".

Segundo o tenente-coronel Araújo Gomes, do 4º Batalhão de Polícia Militar, foi expedida uma portaria instaurando uma sindicância e uma ordem determinando o afastamento dos policiais identificados. A sindicância que vai apurar os fatos deve ficar ficar pronta em 30 dias.

Cow Parade

As esculturas de vacas em fibra de vidro são decoradas por artistas locais e distribuídas pelas cidades em locais públicos como estações de metrô, avenidas e parques. Após a exposição, as vacas são leiloadas e o dinheiro é entregue para instituições beneficentes.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pais e professores, uma relação difícil

São comuns os conflitos acerca da responsabilidade de cada um na formação das crianças. A solução está na aproximação entre as partes
Thinkstock


A relação entre pais e professores inclui, já faz algum tempo, boa dose de tensão. O assunto voltou à tona com força no fim do ano passado, quando um professor americano chamado Ron Clark resumiu as reclamações de boa parte dos mestres da seguinte maneira: professores não são babás de alunos, ao contrário do que pensam seus pais. Ele acusa os pais de repassar à escola suas responsabilidades, recusando, contudo, as regras impostas pela instituição educadora. Seu artigo, chamado "O que os professores realmente querem dizer aos país", tornou-se o segundo mais compartilhado no Facebook em 2011 (o primeiro trata do desastre da usina de Fukushima, no Japão), trocado mais de 630.000 vezes – prova de que a discussão é, no mínimo, pertinente. O texto ecoou em outros países e também no Brasil. "Por aqui, os pais perderam a habilidade de impor limites a seus filhos. Agora, tentam impor limites à escola, interferindo na atividade dos professores", diz a educadora Tânia Zagury, autora do livro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais. De acordo com uma pesquisa realizada pela escritora, 44% dos professores apontam a ausência de limites como causa principal da indisciplina em sala de aula: um quinto dos profissionais responsabiliza a família pelo problema.

Do outro lado da linha, os pais também reclamam de intromissões da escola em disposições que acreditam justas. É o que vive a empresária Marcela Ulian, de 34 anos, mãe de um garoto de 6 anos – o nome dele, assim como o da instituição, um renomado colégio privado paulistano, serão omitidos a pedido da empresária. Há alguns meses, Marcela contesta uma determinação da escola que proíbe alunos de portar dispositivos eletrônicos, como celular ou tablet, no interior da instituição. "As crianças não podem ficar alheias às novas tecnologias. Acho inclusive que os professores podem ensinar que aqueles aparelhos podem servir como material educativo", diz Marcela. Não houve acordo. Para a escola, é em casa que as crianças devem aprender a fazer uso dos aparelhos. "Continuo não concordando com a escola e seguirei tentando provar que estou certa."

Não raro, as queixas de um lado e de outro são mais severas; outras revelam exageros flagrantes. Há, por exemplo, relatos de professores contestados por pais porque atribuíram uma nota baixa a um aluno, ou por tê-lo repreendido por comportamento inadequado. Preocupados com as reclamações de parte a parte, educadores se debruçaram sobre a questão. Descobriram duas razões principais para os desentendimentos. A primeira é uma transformação sofrida pela engrenagem familiar, fruto das mudanças sociais dos últimos 50 anos. Um exemplo disso: nesse período, as mulheres, tradicionalmente encarregadas de acompanhar o crescimento das crianças em casa, ganharam definitivamente o mercado de trabalho, distanciando-se da antiga função. "A consequência disso é que as escolas passaram a ser responsáveis também pela educação moral das crianças. A família moderna demandou isso delas", diz Maria Alice Nogueira, educadora e especialista em sociologia da educação.

A segunda razão envolve um movimento em sentido oposto: a intromissão dos pais em assuntos sobre os quais as escolas antes mantinham monopólio. À medida que as famílias perceberam que a ascensão nos bancos escolares é sinônimo de ascensão social e econômica, passaram a cobrar mais de instituições e professores, que antes davam as cartas na sala de aula – não por acaso, "mestre" é uma designação que quase não se aplica mais a professores. "O êxito proveniente da educação formal levou a família a interferir nos assuntos escolares", diz Maria Alice.

Excetuados os exageros, os educadores de olho na questão alertam que a nova realidade exige nova atitude. "O que ouço dos docentes em momentos como esse é aquela velha história de que, antigamente, eles eram mais respeitados", diz a educadora Elaine Bueno. "Esse é um discurso velho, pois os tempos mudaram: os pais não enxergam mais o professor e a escola como autoridades inquestionáveis. Eles precisam aceitar isso e prestar contas de seu trabalho."

O caminho da convivência harmoniosa exige trabalho intenso de pais e professores, garantem escolas que já o perseguem. Entre as lições aos professores (confira o quadro abaixo), estão orientações como jamais desqualificar ações dos pais diante dos filhos. É o que prega Sylvia Figueiredo, sócia-fundadora do colégio Castanho Lourenço, de São Paulo. Certa vez, ela descobriu que uma mãe fazia o dever de casa do filho. "Em nenhum momento, desmereci a atitude da mãe diante do menino, apesar de estar certa de que a conduta dela interferia negativamente no desempenho dele", conta. O assunto foi tratado em uma conversa a portas fechadas, cara a cara, entre a educadora e a mãe. "É preciso muito treinamento para lidar com os pais. A relação é uma bomba-relógio e pode explodir a qualquer momento se você puxa o fio errado na hora de desarmá-la." Aos pais, em situações como essa, cabe a lição de ao menos ouvir atentamente a posição do educador.

O esforço vale a pena. A harmonia entre as partes é valiosa para a educação – é o que apontam estudos na área. Uma pesquisa encabeçada pela Fundação Getulio Vargas, por exemplo, mostra que os efeitos da presença dos pais na vida escolar se fazem notar por toda a vida adulta. Na infância e na adolescência, a participação da família está associada a notas até 20% mais altas e riscos de evasão até 64% inferiores. "Gostamos de deixar claro aos pais que a interferência deles no processo educativo é saudável. Mas ambas as partes precisam estar abertas ao diálogo", diz Celina Cattini, diretora geral do Colégio Visconde de Porto Seguro. "Muitos professores sentem saudade do tempo em que os pais respeitavam a autoridade da escola. Mas é preciso lembrar que aqueles eram tempos em que havia respeito, mas não havia interação entre escola e família: isso não é bom para as crianças." Celina tem razão.

Com reportagem de Renata Honorato

O que pais e professores podem -e devem - fazer para evitar conflitos

Fonte: veja.abril.com.br